quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Trabalhar...

Após o pecado ter entrado na nossa história, Deus impôs ao homem “a lei severa e redentora do trabalho”, como disse Paulo VI. “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado” (Gêneses 3,19).
A partir da tragédia do pecado original, o trabalho passou a ser um veículo redentor para o homem, além de ser o meio pelo qual ele é chamado a ser cooperador de Deus na obra da construção do mundo.

Michel Quoist disse que "o trabalho não é uma punição, mas uma honra que Deus concede aos homens. O Pai não quis acabar sozinho a criação, por isso convida sua criatura a colaborar com Ele".
O Senhor derrama Sua graça sobre aquele que trabalha com diligência. Este caminha para a perfeição. Não foi sem razão que Confúcio disse certa vez: “Deus colocou o trabalho como sentinela da virtude”.

O trabalho traz para o homem uma misteriosa e agradável recompensa que ninguém e nada pode tirar. O trabalho sério imprime na própria matéria o espírito, e isto glorifica o Criador. Se com humildade oferecemos a Ele o nosso trabalho, este adquire um valor eterno. Assim, o temporal se transforma em eterno; e esta é a grande recompensa do trabalhador.

Esta reflexão nos deixa entrever todo o mal da preguiça. Nenhum bem valioso e nenhuma virtude autêntica podem ser conquistadas sem o trabalho diligente e paciente.
Lamentavelmente, criou-se também entre nós católicos a triste cultura de se “ganhar a vida na sorte”, recorrendo-se às “senas” milionárias, e às loterias alienantes. Esta não é a vontade de Deus para o homem sobre a terra. “Ganharás o teu pão com o suor do teu rosto”, “quem não quiser trabalhar, que não coma”, esta é a lei santa, severa e redentora do Senhor. Querer viver sem trabalho é como desejar a própria maldição nesta vida. Nos momentos mais críticos da vida é o trabalho a tábua da salvação para todos nós.

Facilmente percebemos quantos males sociais advém do ócio e da preguiça. Para compreender a sua gravidade ela é classificada como um “pecado capital”.

Temos de entender a dignidade e a importância do trabalho humano no plano de Deus. São Paulo disse aos tessalonicenses: “Procurai viver com serenidade, trabalhando com vossas mãos, como vo-lo temos recomendado. É assim que vivereis honrosamente em presença dos de fora e não sereis pesados a ninguém”. (1Tes 4,11-12)
É tão importante o trabalho para o homem que o Talmud dos judeus diz: “Nenhum trabalho, por mais humilde que seja, desonra o homem”. E ainda: “Não ensinar ao filho a trabalhar é como ensinar-lhe a roubar”. E uma máxima rabínica dizia que “o trabalho mais duro do mundo é não fazer nada”.
O nosso grande João XXIII, de inesquecível memória, o gigante do Vaticano II, disse certa vez: “O trabalho deve ser concebido e vivido como vocação e missão, como tributo à civilização humana”.

A maior parte da nossa vida transcorre no trabalho de cada dia; seja ele braçal ou mental, doméstico ou empresarial, profissional ou particular. E o trabalho foi colocado em nossa vida, por Deus, como um meio de santificação.

Para nos mostrar a importância fundamental do trabalho, Jesus trabalhou até os trinta anos naquela carpintaria humilde e santa de Nazaré. E para nos mostrar que todo trabalho é importante, Ele assumiu o trabalho mais humilde, o de carpinteiro, que era desprezado no seu tempo. São Bento de Núrcia tomou como lema da vida dos mosteiros “Ora et Labora!” (Reza e Trabalha!).

O nosso Catecismo ensina que:
“O trabalho não é uma penalidade, mas a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível” (CIC, nº 378).
Falando da vida oculta de Jesus na família, quando de sua visita à Terra Santa, o Papa Paulo VI disse em Nazaré: “... uma lição de trabalho. Nazaré, ó casa do “Filho do Carpinteiro”, é aqui que gostaríamos de compreender e celebrar a lei severa e redentora do trabalho humano...” (05/01/1964).

O Fundador do “Opus Dei”, o Beato Monsenhor Escrivá de Balaguer, dizia: “enquanto houver homens sobre a terra, por muito que se alterem as técnicas de produção, haverá sempre um trabalho humano que os homens poderão oferecer a Deus, que poderão santificar”.
São Paulo disse aos coríntios: “Quer comais ou bebais ou façais qualquer outra coisa, façais tudo para a glória de Deus” (1Cor 10,31). Se até o simples comer e beber devem dar glória a Deus, quanto mais o trabalho! Aos colossenses São Paulo explica mais claro ainda: “Tudo quanto fizerdes, por palavra ou por obra, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Col 3,17).
É preciso notar bem esse “tudo quanto fizerdes”; nada fica de fora, nada é profano na nossa vida. Tudo deve ser feito, sem preguiça e sem lamúria, “em nome do Senhor”, isto é,“Nele” e “por Ele” para dar graças ao Pai.

Um pouco adiante, o apóstolo insiste novamente: “Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens. Sabeis que recebereis como recompensa a herança das mãos do Senhor. Servi ao Senhor Jesus Cristo” (Col 3,23).
“Fazei-o de bom coração”, quer dizer, fazer com amor e não por interesse; e “como para o Senhor não para os homens”.
Aqui está o ponto mais importante. Tudo o que fazemos deve ser feito “para o Senhor”, sem preguiça e sem reclamação para não perdermos o mérito da boa ação. Não importa o que seja, se é grande ou pequeno, deve ser feito tendo o Senhor como “Patrão”. Se você é lavadeira, então lave cada camisa ou cada calça com todo o capricho, como se o próprio Jesus fosse vesti-las. Se você é professor, prepare bem a sua aula, ministre-a com capricho e sem preguiça, como se Jesus fosse um aluno que quer aprender.
Se você é um médico, atenda cada paciente sem preguiça e sem má vontade, como se o próprio Jesus fosse o doente.

“Sabeis que recebereis como recompensa a herança das mãos do Senhor”.

Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?id=&e=12517

domingo, 16 de outubro de 2011

DesabafoS


Paro por aqui
Não posso passar pela porta dos perfeitos
Proibem meu jeito
O defeito não é bem aceito aqui

Ando indignado com julgamentos.
As vezes parece que mil favores são esquecidos quando se nega algo ou até mesmo quando se erra uma vez.
Por que somos assim?
O pior, é que se esconder por trás de uma máscara de que está tudo bem, faz tão mal quanto o julgamento.
E as vezes o problema nem é máscara... é o medo da reprovação.

Ando indignado também por me pegar mais uma vez depositando tanta expectativa em alguém.
E falando em máscaras, a expectativa é mestra em esconder a face da realidade.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O pecado e seu salário !!!

Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Romanos 23, 6)

Alguns pecados insistem em nos acompanhar e infelizmente, muitas vezes eles se tornam parte de nossa rotina. Assim passamos a cometê-los quase sem perceber.
Nessa mesma proporção, quase sem perceber, vamos experimentando um pouco da morte, o salário do pecado.

Quando nos damos conta, o cheiro de morte já está tão impregnado em nós, que já estamos distantes o suficiente de Deus, não porque Ele quer, mas porque nós construímos essa distancia, passo a passo, tijolo por tijolo.
Onde há morte, não pode ter vida! É tão óbvio! E Jesus mesmo diz: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida.

Hoje eu esbarrei nos meus pecados rotineiros, mas por algum motivo, eles não foram tão imperceptíveis. Ele doeram em mim também, eu senti sintomas de morte, de uma morte que não é física...

Porém, não parei no meu orgulho e na minha tristeza. Visitei Jesus Sacramentado na capela, senti uma paz fora do comum. Não havia nenhum julgamento lá, e um Amor Supremo perfumava o ambiente, e assim tive a graça de, de uma maneira tão insignificante e minuscula, experimentar um pouquinho da dinâmica do cristianismo.

Pelos nossos pecados, Jesus foi crucificado, e nos deixou como herança a vida eterna.

Hoje, eu enfrentei fragmentos de morte contidos em meus pecados, e por causa desses mesmos pecados, reconhecendo que "nada sou", fui até a capela e diante do sacrário, os sintomas de morte se foram com as lágrimas, e encontrei Vida.

Fiquem com Deus, e tenham Vida!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Que pressa é essa?

Quando eu acordei, já estava atrasado pro trabalho. Fiz tudo correndo e no meio do caminho, decidi voltar, pois tinha esquecido algo, ou seja, corri mais ainda. Cheguei no trabalho e no meio das tantas situações rotineiras apressadas e cheias de horários a serem cumpridos, o horário de almoço se aproximava, e ele, o tempo, estava lá, sendo contado.
Dentro desse tempo tão limitado, tive que deixar meu carro no conserto. Avisei meu chefe que me atrasaria, mas mesmo com o aviso, os passos rápidos até o ponto de ônibus mais próximo faziam questão de me lembrar que eu deveria andar rápido.

Por que ? Por que tudo tão rápido ? Somos tão reféns assim do tempo ?
Quanto tempo reservamos pra situações que quebram a rotina ?
E finalmente a questão principal: Quanto tempo reservamos com aquilo que o tempo não pode controlar ?

Um "bom dia" acompanhado de um sorriso; uma troca de olhares mais demorada; um abraço mais longo; um "eu te amo" verdadeiro, e não esse que se diz pra primeira "menina bonita" que encontramos online na rede social, que por sinal, deixa tudo tão mais rápido né? Aquela pessoa que pouco conhecemos, está lá, exposta na vitrine de um facebook, pronta pra sair do anonimato, rapidamente, agradando aos padrões da correria, da maioria.

Não sou contra nada disso, mas tudo precisa de um equilíbrio.
O fato é que eu sonho, e nos meus sonhos prevalecem os amores, que não cabem no tempo.

Mais Perto
Pe. Fábio de Melo

Onde é que você vai com tanta pressa
Com esse ar de quem tem muito o que fazer
Se eu posso lhe pedir alguma coisa eu lhe peço: senta
aqui
Como um dia eu sentei naquele poço
E a amizade visitou meu coração
Fui amigo e o esposo que faltava e hoje pode ser
também assim
Os seus olhos me revelam tanta sede e não sou
indiferente a sua dor
Mas tem coisas que não faço, não são minhas, dependem somente do seu querer

O milagre se dará por duas vias
Uma é minha e a outra deixo pra você
Se você trouxer a mim a sua água eu devolvo vinho
Chega mais perto, não tenha medo
Não diga nada, silêncio é palavra que não faz segredo
Se for preciso enxugo o seu rosto
Lágrimas são fragmentos de história que posso
entender

Eu lhe vejo entrelaçado em tantos erros
Machucando tanta gente sem saber
Infeliz vai se tornando
pouco a pouco, por favor,
queira voltar

Não prometo dar-lhe um jardim de flores
Mas prometo a força pra poder plantá-lo
E asseguro no cultivo estar bem junto, se preciso, lhe
consolar
Cantaremos a semente germinada, podaremos o que não
puder crescer
Cada poda há de ter ensinamento eu vou lhe ajudar a
compreender
Sou o verbo do princípio feito carne
Sou o Deus que resolveu ter coração
E hoje está sentado à beira deste poço
Mirando o seu rosto, na voz deste moço, lhe dando um
recado
Que se for possível espero visita, não tarde em
chegar
A casa é a mesma, o mesmo endereço, espero por lá
Chega mais perto.